No mundo corporativo não há mais espaço para a cultura do “achismo”

Ninguém é pago para “achar”... “eu acho que esse funcionário produz mais que o outro” ou “o meu palpite é de que esse colaborador tem mais potencial”. Entre o achar e a realidade simples e pura invariavelmente há ruídos na comunicação, pessoalismo e, pior, nem sempre quem “acha” sabe fazer.


Isso é como dar um tiro no escuro e colocar a sobrevivência do próprio negócio em xeque. Nesse contexto, não há mais espaço para amadorismos: as empresas têm como medir o desempenho de seus colaboradores. Mais ainda, com as informações reais ajudá-lo a desenvolver todo o seu potencial.


Segundo a economista e psicóloga Isla Gonçalves, pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista na área de Psicologia Organizacional, também consultora e instrutora de treinamentos corporativos, a área de Recursos Humanos (RH) de uma empresa adota uma postura estratégica quando começa a mensurar os resultados. “O maior desafio do RH é contribuir para o desenvolvimento organizacional, principalmente para o desenvolvimento das pessoas.”


Softwares de gestão de RH ajudam as empresas a fazerem essa métrica – do desempenho individual e também da própria equipe – e a devolver feedbacks fidedignos e justos. “Isso traz objetividade, transparência e credibilidade ao processo. O colaborador entende que o gestor não tirou da sua cabeça e nem fez a avaliação baseado em opinião pessoal”, destaca Isla.


Todos ganham: os gestores têm condições de tomar decisões mais assertivas em relação aos seus colaboradores, porque passam a entender melhor qual o perfil de trabalho de cada um e da sua equipe; já o colaborador conhece mais sobre seu perfil profissional, seus pontos fortes e fracos e como melhorar suas competências; e as organizações podem identificar os gargalos operacionais e definir de maneira estratégica os investimentos necessários para aumentar a motivação e preencher as lacunas de conhecimentos/ competências dos colaboradores, através de capacitações.


Investimento traz retorno

No software de gestão, a avaliação de desempenho traz vários indicadores: assiduidade, índice de produtividade, entre outros que ajudam a dar/ receber o feedback, a traçar o plano de desenvolvimento individual e ainda fornece apoio para outros diagnósticos, a exemplo do clima organizacional. 


 A especialista destaca a conquista de vantagens competitivas por uma empresa da Paraíba, com cerca de 600 funcionários, em que ela presta assessoria, que trocou uma gestão conservadora por uma automatizada, com novos parâmetros.


“O filho assumiu os negócios e implantou o software RH Gestor e os resultados são surpreendentes. Todos os meses a equipe comercial tem batido as metas, os índices de qualidade e produtividade se elevaram, fizemos uma revolução de cargos e salários lá dentro. Quem era auxiliar de produção que operava máquina passou a ser operador de máquina e a ganhar como tal.”


A lógica é simples: se você não sabe para onde sua equipe caminha, se é que caminha na mesma direção, como espera que alcance a meta estabelecida? O contrário é verdadeiro. Se a equipe caminha junto, na mesma direção, tem mais potencial para atingir os objetivos.


Outro destaque, conforme Isla, é que os índices motivacionais cresceram exponencialmente - saltaram de 47% em 2017 para 89% em 2019. “É um índice altíssimo. Quando a casa está arrumada, o clima é mais leve, o colaborador trabalha mais feliz e isso reflete em aumento de produtividade. Nas empresas onde presto consultoria, o que temos feito é orientar: invista no ser humano, vamos capacitar, vamos medir que você vai ter o resultado que espera para a tua empresa.”


Aos colaboradores, a recomendação de Isla é que “com ou sem feedback” delimite as habilidades que precisa para ter sucesso na carreira, e não abre mão de se desenvolver. “A pessoa mais favorável para o seu sucesso é você mesmo.”


Dicas:

- A avaliação de desempenho é uma ferramenta focada no futuro, corrigindo erros do passado, orientando o presente, vislumbrando o alcance das metas.

- O objetivo de aproveitar o melhor de cada colaborador, detectando quais as áreas em que ele pode melhorar.

- Cabe à empresa e ao gestor dar este feedback. Várias organizações já adotam o plano de desenvolvimento individual, que prevê desde atividades simples até o trabalho de coaching para o desenvolvimento de competências de seus talentos.



Elaine Ogasawara - Jornalista VP Soluções