A remuneração e a estrutura de cargos de uma organização são pilares fundamentais da gestão de pessoas e, consequentemente, da saúde financeira do negócio.
Em um mercado de trabalho dinâmico e competitivo, manter salários desatualizados e planos de cargos defasados não é apenas um problema de moral, é um risco estratégico que ameaça a atração dos melhores talentos e, mais gravemente, a retenção dos colaboradores atuais.
Um estudo recente da Robert Half (2024) apontou que a principal razão para a busca de um novo emprego é a insatisfação com a remuneração e benefícios. Ignorar essa defasagem é abrir as portas para o turnover e minar a produtividade.
Este artigo, com foco em soluções práticas e estratégicas, detalha como o RH pode agir imediatamente para corrigir estas falhas, transformando um ponto de risco em uma alavanca para o sucesso e a competitividade.
Por que a estrutura salarial defasa?
Antes de propor soluções, é vital entender a raiz do problema. A defasagem salarial e a desatualização dos planos de cargos não surgem da noite para o dia, são o resultado da inércia e da falta de alinhamento com a realidade externa e interna.
Inércia e falta de pesquisa de mercado
Muitas empresas falham em conduzir pesquisas de remuneração anuais ou bienais, esperando que o problema se manifeste em demissões.
- Inflação salarial: No Brasil, a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e do salário mínimo afeta indiretamente toda a base da pirâmide salarial. Empresas que aplicam apenas o reajuste mínimo ou não acompanham o "salário de mercado" perdem rapidamente a competitividade.
- Novas competências: Funções que exigem hard skills em alta demanda, como Engenharia de Dados ou Cibersegurança, têm sua remuneração elevada rapidamente. A inércia do RH em atualizar a faixa salarial para essas posições é uma perda imediata de talento.
Desalinhamento interno e a equidade
Planos de cargos defasados causam problemas de equidade interna, gerando desmotivação silenciosa.
- Acúmulo de funções: Com o tempo, um colaborador assume mais responsabilidades e tarefas que não estavam previstas na descrição original do cargo, mas o salário permanece o mesmo. A falta de revisão periódica do plano de cargos ignora essa realidade.
- Distorções salariais: Diferenças salariais injustificadas entre colaboradores que possuem o mesmo cargo e nível de desempenho, causadas por contratações urgentes ou reajustes pontuais e não estruturados.
Um relatório da Gallup sobre engajamento de colaboradores revelou que a falta de percepção de justiça e equidade no tratamento, incluindo a remuneração, é um dos maiores preditores de baixo engajamento e alta intenção de saída da empresa.
A ação imediata do RH: estabilização e mapeamento
Diante de um cenário de defasagem, o RH deve agir em duas frentes: estabilizar o quadro de talentos mais críticos e iniciar um mapeamento completo.
Priorização e Quick Wins
Não é possível corrigir toda a estrutura salarial de uma vez, mas é possível mitigar os riscos mais urgentes.
- Pesquisa de Exit Interview: Analise rapidamente as entrevistas de desligamento dos últimos 12 meses. Se a remuneração for citada como motivo de saída em mais de 50% dos casos, o problema é grave e estrutural.
- Foco nos Cargos-Chave: Identifique os 5 a 10 cargos que são críticos para a operação e a estratégia da empresa e que apresentam a maior taxa de turnover ou dificuldade de contratação. Corrija a remuneração desses cargos primeiro.
- Ajustes Pontuais de Equidade: Resolva as distorções salariais mais gritantes entre colaboradores do mesmo nível para demonstrar comprometimento com a justiça interna.
Pesquisa de Remuneração e Benefícios
Nenhuma solução é sustentável sem dados de mercado. O RH precisa de informações atualizadas para justificar investimentos.
- Definição do Benchmark: O RH deve definir se a empresa deve pagar no 3º Quartil (acima da média), no 2º Quartil (na média) ou no 1º Quartil (abaixo da média) do mercado para cada nível de cargo. Essa decisão deve ser estratégica e alinhada à cultura, exemplo: uma startup de tecnologia deve mirar o 3º Quartil para atrair talentos.
- Fontes de Dados: Utilize empresas de consultoria especializadas, com softwares de gestão como o da RHGestor by Sólides, ou pesquisas anuais de consultorias renomadas. Pesquisas de internet não têm a precisão necessária.
- Análise de Benefícios: A defasagem salarial pode ser parcialmente compensada por benefícios robustos e diferenciados, exemplo: previdência privada, auxílio educação, plano de saúde superior. Avalie o custo-benefício de incrementar o pacote de benefícios.
Revisão do plano de cargos e salários: a estrutura sustentável
A solução de longo prazo exige uma revisão completa do Plano de Cargos e Salários, garantindo que ele seja flexível, transparente e meritocrático.
Revalidação e redesenho de cargos
Defasagens salariais frequentemente andam de mãos dadas com descrições de cargos ultrapassados.
- Mapeamento de competências: Utilize frameworks de gestão por competências para revalidar as descrições de cargo. Quais hard e soft skills são realmente necessárias para o desempenho de sucesso?
- Estrutura de níveis: Crie ou refine a estrutura de níveis (Júnior, Pleno, Sênior, Especialista, Liderança) com critérios claros e objetivos de progressão. O colaborador precisa saber o que ele precisa fazer e aprender para subir de nível e ter acesso a um aumento salarial.
- Abertura de Carreiras em Y ou W: Para reter talentos técnicos que não desejam ir para a gestão de pessoas, crie carreiras paralelas (Carreira em Y para Especialistas e Carreira em W para Consultores/Gerentes de Projeto), garantindo que a remuneração seja competitiva com a de gestão.
A construção da tabela salarial e avaliação de cargos
A nova tabela deve ser lógica e refletir o valor real de cada função para o negócio.
- Avaliação de cargos: Utilize metodologias de pontuação para ponderar o valor de cada cargo com base em fatores como: complexidade, nível de responsabilidade, esforço intelectual, e impacto na receita. Isso garante a equidade interna.
- Faixas salariais: Defina faixas salariais para cada cargo (mínimo, midpoint, máximo). O midpoint deve estar alinhado com o benchmark de mercado definido anteriormente.
- Regras de transição: Crie um plano claro de como os colaboradores atuais serão migrados para a nova estrutura, minimizando o impacto financeiro imediato e comunicando a visão de futuro.
Segundo uma pesquisa da Korn Ferry em 2024, empresas com estruturas de remuneração transparentes e baseadas em job grading reportaram uma melhora de 18% na confiança dos colaboradores na gestão e uma queda no turnover de high performers.
O papel da liderança e a comunicação de valor
A melhor estratégia salarial falha se não for compreendida e apoiada pela liderança. Líderes precisam ser treinados para gerenciar o novo PCS e as expectativas de aumento salarial.
- Decisão baseada em performance: O RH deve garantir que aumentos e progressões salariais dentro da faixa sejam atrelados ao desempenho individual e à aquisição de competências, e não apenas ao tempo de casa. A utilização de softwares de gestão de desempenho, como o RHGestor by Sólides, que avaliam performance e fit cultural é essencial.
- Orçamento e previsão: Treine gestores para entender o orçamento de folha de pagamento e fazer previsões realistas de aumentos salariais para suas equipes no próximo ciclo.
Além disso, o RH não deve ter medo de comunicar o plano. A transparência gera confiança.
- Comunique o "porquê": Explique aos colaboradores por que a empresa está investindo na nova estrutura: para ser mais justa, mais competitiva e para reter os melhores talentos.
- O valor total da recompensa: Mostre aos colaboradores que o salário é apenas uma parte da equação. Apresente o valor total do pacote, salário + benefícios + auxílios + formação + oportunidades de carreira, para que o colaborador entenda o investimento total que a empresa faz nele.
De problema a vantagem competitiva
Salários desatualizados e planos de cargos defasados são sintomas de um RH que atua de forma reativa.
A transformação em um RH Estratégico exige uma abordagem proativa e baseada em dados.
Ao priorizar a correção dos riscos imediatos com ajustes em cargos-chave, e simultaneamente, construir um Plano de Cargos e Salários moderno, flexível e transparente, sua empresa não apenas resolve um problema, mas adquire uma vantagem competitiva sustentável.
Investir em um PCS justo e atualizado é o melhor investimento contra o turnover e a favor do engajamento.
Para iniciar essa jornada de forma eficiente e fundamentada em dados, contar com ferramentas de gestão de RH que automatizam a pesquisa salarial e o job grading, como as soluções do RHGestor by Sólides, é o primeiro passo inteligente.
Agora é a hora de agir, fale com um de nossos especialistas aqui e garanta que o seu capital humano seja recompensado à altura do valor que ele entrega.


