Licença Parental Estendida e o Impacto do ROI

Nos últimos anos, a licença parental estendida tem ganhado protagonismo nas pautas de RH ao redor do mundo. Com a crescente valorização do bem-estar, da retenção de talentos e da diversidade, oferecer um período de afastamento superior ao mínimo legal deixou de ser apenas um benefício, tornou-se uma verdadeira estratégia de negócios.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), “mais de 38% das empresas de grande porte nos países da OCDE já adotam licenças parentais acima do exigido por lei”.

No Brasil, essa tendência começa a se consolidar, impulsionada por um olhar mais atento ao retorno sobre investimento (ROI) em políticas de gestão de pessoas.

Neste artigo da RHGestor by Sólides, vamos explorar como a licença parental estendida pode gerar impactos financeiros, operacionais e culturais em médias e grandes empresas.

Cenário atual e legislação

Atualmente, no Brasil, a licença-maternidade é de 120 dias, podendo ser estendida para 180 dias nas empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã. Já a licença-paternidade, por padrão de 5 dias, também pode chegar a 20 dias por meio do mesmo programa.

Em países como Suécia, Canadá e Alemanha, os períodos de licença parental ultrapassam um ano, com repartição equilibrada entre pais e mães. O contraste evidencia o quanto o Brasil ainda tem espaço para avançar em políticas de apoio à parentalidade.

Empresas brasileiras que já oferecem licença

Organizações como Natura, Unilever e Itaú são exemplos de empresas que lideram esse movimento. Elas oferecem licenças de até 6 meses para qualquer responsável legal pela criança, incluindo mães, pais e casais homoafetivos.

Os impactos vão além do campo simbólico: melhorias no clima organizacional, maior satisfação dos colaboradores e até ganhos em indicadores financeiros são resultados cada vez mais observados.

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Desafios de implementação em médias e grandes corporações

A adoção da licença parental estendida exige planejamento e estrutura. Em primeiro lugar, há o impacto direto na folha de pagamento, o que pode representar um desafio para empresas com margens operacionais mais apertadas.

Além dos salários durante o afastamento, existem custos indiretos como contratação temporária, redistribuição de tarefas e capacitação de equipes de apoio. Isso demanda previsibilidade e ajustes no orçamento anual de RH.

Outro obstáculo recorrente é a limitação tecnológica dos sistemas de RH. Muitas empresas ainda utilizam plataformas que não comportam múltiplos tipos de afastamento, dificultando o controle de prazos e a gestão de benefícios associados.

Por fim, a falta de métricas claras de retorno pode gerar resistência por parte das lideranças. Sem indicadores como taxa de reintegração, tempo médio de retorno e redução de turnover, decisões são tomadas com base em achismos, e não em dados.

Confira a seguir: Sistema de RH: aprenda a escolher o melhor para sua empresa.

Cálculo do ROI em Licença Parental

Para calcular o ROI (Retorno sobre o Investimento) de uma política de licença parental estendida, é importante considerar tanto os custos diretos quanto os custos evitados, ou seja, aquilo que a empresa deixa de gastar por investir em retenção e bem-estar.

Os custos diretos incluem:

  • Salários pagos durante o afastamento.
  • Manutenção de benefícios (como plano de saúde, vale-refeição, etc.).
  • Custos com contratação temporária ou redistribuição de tarefas.

Já os custos evitados representam a economia gerada por evitar demissões e substituições. Estudos indicam que o turnover pode custar de 30% a 50% do salário anual do colaborador, considerando seleção, treinamento, perda de produtividade e tempo de adaptação do novo profissional.

Você pode aplicar a seguinte fórmula:

ROI = (Custos evitados – Custos diretos) / Custos diretos × 100

Exemplo prático:

  • Custos diretos da licença: R$ 40.000
  • Custos evitados com turnover: R$ 65.000

ROI = (65.000 – 40.000) / 40.000 × 100 = 62,5%

Ou seja, nesse cenário, a empresa tem um retorno de 62,5% sobre o investimento feito na licença parental estendida — além de benefícios intangíveis como engajamento, reputação e cultura organizacional mais saudável.

Benefícios financeiros para empresas que adotam

Estudos da SHRM mostram que empresas com boas políticas de licença parental reduziram o turnover em até 21% no primeiro ano pós-licença. Isso representa menos gastos com recrutamento e treinamento de novos colaboradores.

Além disso, colaboradores que retornam de forma saudável e preparada apresentam menores índices de absenteísmo e burnout. Isso se reflete em mais foco, menor rotatividade e melhor desempenho no médio prazo.

Outro ponto relevante é o aumento no engajamento. Pesquisas apontam que o apoio à parentalidade pode elevar a lealdade em até 40% entre os que utilizam os benefícios, gerando maior envolvimento com a missão da empresa.

Monitor aberto na RHIA Emotion, solução da RHGestor by Sólides, junto com outras imagens da plataforma

Impacto no employer branding e atração de talentos

Em um mercado competitivo, oferecer licença parental estendida é um diferencial que fortalece a marca empregadora. Empresas que cuidam de seus colaboradores atraem profissionais qualificados e engajados.

Pesquisas de clima realizadas após o retorno da licença mostram altos índices de satisfação e sentimento de pertencimento. Isso melhora a cultura organizacional e reforça o equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

Além disso, programas de reintegração, como mentorias, retorno gradual e suporte emocional, facilitam a adaptação dos colaboradores, especialmente após longos períodos de ausência.

Diversidade, inclusão e equidade de gênero

A licença parental também é uma ferramenta de equidade. Quando oferecida de forma igualitária a pais e mães, contribui para uma divisão mais justa das responsabilidades familiares e reduz o viés de gênero nas promoções.

Empresas que adotam essa prática registram maior presença feminina em cargos de liderança, além de estimular a participação masculina ativa na criação dos filhos — o que favorece a equidade no ambiente corporativo.

Indicadores como os do GPTW e do D&I Benchmark revelam que organizações com licenças mais justas têm melhores pontuações em diversidade e inclusão, tornando-se referências no setor em que atuam.

Confira depois: Departamento Pessoal: o que é, rotina, funções e mais.

Ferramentas e People Analytics

A tecnologia é uma aliada poderosa nesse processo. Ferramentas como a RHGestor by Sólides permitem acompanhar de forma automatizada todos os afastamentos, seus impactos e os indicadores essenciais para o RH.

Métricas como taxa de retorno ao trabalho, tempo de reintegração e custo médio por licença são essenciais para entender o impacto real da política adotada, e tomar decisões baseadas em dados, não em suposições.

Ferramenta estratégica para empresas

A licença parental estendida não é apenas um benefício social: ela é uma poderosa alavanca estratégica. Empresas que adotam essa política de forma planejada constroem reputação, fortalecem vínculos e economizam a longo prazo.

Se a sua empresa deseja estruturar ou aprimorar essa política, a RHGestor by Sólides pode ajudar. Com tecnologia, visão de futuro e apoio especializado, é possível transformar bem-estar em performance real.

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Júlia Rovani
Redatora e líder da área de Conteúdo da RHGestor by Sólides, onde atua há mais de três anos. É formada em Comunicação e Multimeios pela Universidade Estadual de Maringá, com experiência em produção de conteúdo com foco em SEO. Lidera a criação de materiais ricos, blogposts e eventos online voltados para a área de Gestão de Pessoas, em especial, para médias e grandes empresas.