Da corrida para a carreira: a cada quilômetro vencido, uma lição

Quem nunca se arrastou para o trabalho que atire a primeira pedra? Cansaço, estresse, falta de disposição e até de motivação são capazes de tirar o “prazer” de trabalhar, mais ainda: afetam diretamente na produtividade e na carreira profissional como um todo.


 Assim, fica difícil “vestir a camisa” da empresa, não é mesmo? Fugir dos problemas nunca foi e nunca será solução para nada, mas correr pode ser, no sentido literal da palavra.



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Todo mundo sabe dos benefícios da atividade física para a saúde e qualidade de vida, mas por vezes eles são ignorados ou sufocados pela correria do dia a dia. Se o que lhe falta é inspiração, confira o poder transformador do esporte e como a corrida tem muito mais a ver com nossa vida profissional do que a gente imagina!



Tempo para nada e preguiça para tudo


Francisco Maquedano, 49 anos, era o retrato de muitos trabalhadores: estava acima do peso, comia e dormia mal, era sedentário e “não tinha tempo para nada e preguiça para (quase) tudo”.

Em 2015, ele passou por um grande susto: teve um princípio de infarto, que serviu como alerta e o empurrão que precisava para dar uma guinada na vida. Com 1,78 m e quase 100 quilos, o auxiliar administrativo, que comumente acordava fadigado e sem energia, passou a incluir a caminhada nas tarefas diárias.


Francisco Maquedano



“Tinha pressão alta e tudo o que possa imaginar. Quando tive o princípio de infarto perguntei ao médico se ele estava brincando. Ele respondeu que quem estava brincando era eu, com a minha vida”, lembra Francisco, que trabalha na área administrativa de uma empresa do ramo de alarme e monitoramento.


A mudança começou com uma atitude. “Mais do que querer mudar é preciso agir”, diz Francisco antes de acrescentar: “Comecei fazendo caminhada. Depois alternava caminhada e corrida. Então passei a correr e não parei mais.”


O atleta amador superou seus limites e conquistou a medalha de ouro na vida. De lá para cá se passaram cerca de quatro anos. Francisco se exercita todos os dias, perdeu em torno de 20 quilos – hoje pesa 78 quilos, deixou a bebida alcoólica de lado e adotou uma dieta mais equilibrada e saudável, permitindo-se vez ou outra “jacar” sem culpa.


“Tenho muita energia, porque passei a dormir melhor. Trabalho com disposição, agilidade e bom humor. Se você está feliz, tudo melhora, do relacionamento em casa até no trabalho.”  


Claro que toda mudança demanda empenho e resiliência, característica cada vez mais valorizada em profissionais.   


Além disso, no campo profissional, Edvando de Souza dos Santos, técnico do clube de corrida Energia Unimed, destaca que os ganhos em qualidade de vida e saúde refletem diretamente no aumento da produtividade, em mais foco e concentração.


“Várias empresas incentivam os seus colaboradores a participarem do grupo de corrida, justamente porque perceberam vários benefícios. E funcionários saudáveis tendem a ficar menos doentes. É incrível ver como o esporte transforma a vida das pessoas. Todos ganham!” 



Esporte amador como estilo de vida


A falta de tempo não pode ser mais desculpa para não fazer atividade física. A empresária Andréa Tribulato é um exemplo de que cada um gerencia o seu tempo. Durante a semana, ela faz musculação três vezes, ioga uma vez, pedala bicicleta de três a quatro vezes, faz natação de três a cinco vezes e corre três vezes.


Concilia o esporte com a rotina de empresária do setor de turismo – também esportivo, é claro. Ainda faz aulas de piano, francês, tem uma casa para cuidar, bem como família e cachorro. Haja fôlego. “Acho que movimento gera movimento.”



Andrea Tribulato


Essa triatleta transformou o esporte amador em estilo de vida e influencia pessoas compartilhando a sua rotina esportiva. Atualmente ela tem mais de 30 mil seguidores no Instagram.


Claro que os resultados não vêm da noite para o dia. Andréa pratica esportes desde os 3 anos, incentivada pelos pais. Em 1998 adotou a corrida como hobby. Em 2012, “passou a levar a corrida de forma mais séria”. Dois anos depois se rendeu ao triathlon. “Acredito que o esporte eleva a saúde mental de qualquer pessoa.”


A cada quilômetro vencido, uma lição de vida. A atleta amadora carrega para a sua carreira três pilares do esporte: o espírito do trabalho em equipe, a disciplina e a dedicação. “Eu dependo da assertividade de vários profissionais do meu time, o preparador físico, treinador de corrida, nutricionista, psicólogo esportivo, nutrólogo, entre outros engajados no objetivo. Por exemplo, estou me preparando para o Mundial de Triathlon na Suíça, em setembro. Esta é minha prova alvo"


Já a disciplina é essencial para qualquer pessoa que busca se desenvolver, em qualquer que seja o campo de atuação. Afinal, sem disciplina é difícil fazer o que precisa ser feito no prazo estabelecido para que as metas sejam alcançadas. “É claro que nem sempre as coisas saem como o planejado, mas está tudo bem também.”


Não é de se surpreender que os profissionais dedicados são mais perspicazes e mais propensos a persistir. Não fosse pela dedicação, Andréa não teria conquistado a vaga para o Mundial na Suíça e para o IronMan 70.3 em Cartagena/ Colômbia (1º de dezembro), prova de triathlon para “homens e mulheres de ferro”.


Nas tarefas laborais, assim como numa competição, a busca por resultado demanda planejamento, definição de metas e estratégias, monitoramento dos indicadores, engajamento da equipe, motivação e automotivação, esforço, flexibilidade e inteligência emocional para lidar com as pressões diárias. 



Curtas


- É recomendável que se faça um check-up médico antes de iniciar a atividade física. O profissional especializado poderá orientar para a melhor prática desportiva. 

- Independente da escolha, a atividade física devidamente orientada libera serotonina e endorfina, neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar, prazer e relaxamento, o que alivia também o estresse.

- O grupo de corrido da Unimed Maringá é formado por 130 corredores que fazem avaliação periódica, controle de evolução de medidas e evolução do tempo de corrida. Os participantes treinam com o auxílio dos professores, às segundas e quartas-feiras, e outro às terças e quintas-feiras, em vários locais da cidade. Mais informações na Unimed.TY




Edvando, técnico do clube de corrida da Unimed Maringá