Treinei a equipe, mas o resultado não veio. Por quê?

Treinar e capacitar a equipe há muito tempo deixou de ser um gasto e passou a ser considerado como investimento indispensável pelos empresários, que entendem a importância de manter os colaboradores atualizados para potencializar as suas capacidades e desempenho. Mas, e quando esses treinamentos não se transformam em resultados?


Desperdício de dinheiro e tempo, correto? Foi o que disse um empresário à economista e psicóloga Isla Gonçalves. “Ele afirmou que não contrataria mais treinamentos e explicou o motivo. A equipe da recepção passou por uma capacitação e na semana seguinte o atendimento continuava exatamente o mesmo. Então, ele me disse: gastei tempo, dinheiro e não vi resultado”, contou Isla.

  

A participação do colaborador em um determinado treinamento não garante que ele vá colocar em prática aquilo que lhe é ensinado. Por isso, nem sempre um treinamento é uma condição para melhora do desempenho. Por quê?



“Qual a diferença entre um treinamento comportamental (para o aprimoramento de competências como liderança, automotivação, relacionamento interpessoal, entre outros) que dá resultado para o que se gasta dinheiro? O treinamento tem que agir no comportamento, porque ele foi instalado por via da emoção e não racionalmente”, diz Isla.



Ela deu um exemplo. Pergunte a qualquer pessoa qual o perfil de um excelente vendedor? A resposta será basicamente a mesma: tem que ser comunicativo, persuasivo e ter conhecimento (sobre o produto ou serviço que está oferecendo). Agora pergunte: Você seria um bom vendedor? Alguns dirão não.


“O seu racional sabe o que é ser um bom vendedor, mas nem todo mundo consegue ser um bom vendedor porque tem um gap da personalidade, de competências. Saber fazer não significa fazer ou conseguir fazer. Aí está a diferença”, pondera.


Nas capacitações o aprimoramento de competências comportamentais não acontece somente através de instruções e apresentações de conhecimentos técnicos, mas principalmente por meio de atividades que trabalham os aspectos emocionais do colaborador.


“Ninguém muda só racionalmente. É necessário um trabalho na afetividade para que haja um despertar da consciência e a partir daí o despertar para a mudança. Você pode explicar para uma recepcionista que ela tem que ser afetiva com os clientes, mas a chance dela aprender vai ser pequena. Ela pode aplicar isso no dia seguinte e no outro. No terceiro dia, volta para o seu modus operandi porque não houve a tomada da consciência”, esclarece.


Trabalhar os aspectos pessoais vai fazer o colaborador refletir sobre sua atual situação, estimulando suas emoções e reflexões para uma nova atitude. “Está contratando treinamento comportamental? Veja o programa, conheça a abordagem, se de verdade vai atacar o lado cognitivo e também o afetivo”, completa.


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Dicas:


- O treinamento não é só levar conhecimento para o colaborador, mas uma ferramenta para que o profissional atinja o nível de desempenho desejado pela empresa;

- Quando o assunto é treinamento comportamental os temas mais trabalhados são: liderança, motivação, administração de tempo, relações interpessoais, inteligência emocional, entre outros;

- Alie treinamentos comportamentais e técnicos;

- Atenção: o treinamento mais eficiente pode não gerar resultados por falta de indicadores, liderança despreparada, além de falta de processos ou de sistemas que não permitem modificações que foram percebidas e sugeridas no treinamento.



Elaine Ogasawara, Jornalista da VP SOLUÇÕES.